terça-feira, 10 de maio de 2016

A folha.

Uma folha se desprende da grande arvore,

                  que estremeceu.

Nós que somos
                          filhos dos seus filhos,

                                                           sentiremos sua falta.




Será,
                          um novo começo

ou
                                                              o temido fim?


                                                                                               absoluto.


Não façamos desse evento uma coisa triste,

afinal

é
                      uma
                                               espécie de libertação,

outros brotos

               virão.

A folha
                        agora

dança

                                  ao sabor do vento,

sem limitações
                                        e flutua livre,

                                                                           livre

                                                                                       para sempre.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O chamado

Nem sempre fui assim.
Não sei se vou querer continuar assim, mas continuo senhor
do meu destino.
Se isso incomoda alguém, fale comigo, ou com Deus,
sei lá.
Nada passará despercebido entre o céu e a terra.
A coisa meio que retangular meio que amarelada pelo sol,
vinha caindo do céu límpido devagar, era grande mas parecia leve.
Corri para pegar meu celular e registrar aquele evento fantástico, no
máximo dez segundos, não mais que isso.
Mas foi o suficiente para o objeto desaparecer e o céu que estava límpido
se encher de nuvens, incrível transformação, não havia nenhuma nuvem
no céu, até onde se podia ver.
Apesar da rapidez em ocultar o fato, usando nuvens como camuflagem, eu
sabia do que se tratava.
O objeto era tipo um casulo, feito de um material muito leve e totalmente desconhecido,
onde a pessoa entrava em seu interior e poderia cair de qualquer altura com total segurança
para um pouso tranquilo, a menos que fosse descoberta!
Alguém havia tentado fugir da cidade das nuvens.
E isso queria dizer que eu teria que voltar lá.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Mutante

A flor do dente de leão, com suas cipselas traiçoeiras,
me ataca sem trégua.
Continuo minha marcha, firme em direção ao abismo.
Borboletas monarcas com suas asas multicoloridas tentam
me ludibriar.
Nada me deterá!
Agora são beija-flores, criaturas velozes e perigosas.
Na trilha do roseiral o perfume mina minhas forças.
Mas estou decidido.
Não importa os perigos.
Só morrerei pela saliva do teu beijo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Máscaras.

Somos apenas reflexos pálidos em espelhos distorcidos,
dentro de um circo de horrores.
Sim, nós.
Todos temos máscaras.
Há quem negue, esses tem mais de uma.
Não há como viver numa sociedade hipócrita sem uma
máscara para se proteger, um escudo.
Somos todos atores dentro desse circo maluco e maldoso
onde vivemos, ou vegetamos, pode escolher.
Às vezes aparece um raio de sol, um sopro de humanidade,
mas logo é engolido pelo sistema podre e se deteriora também.
Não há muito que uma pulga sozinha possa fazer para deter um
elefante.
Sou apenas um sobrevivente de minhas escolhas!

sábado, 30 de janeiro de 2016

In memoriam.

Em memória de mim, vos peço!
Se querem se lembrar bem de mim, por favor,
não me imaginem dentro de uma cova triste e abandonada.
Mas olhem para o sol se for dia, vejam o céu azul e me
imaginem ali, dando piruetas, voando e furando as nuvens,
me divertindo.
Ou então se for noite, estarei entre as constelações e se passar
uma estrela cadente, pode ter certeza que estarei montado nela,
gritando "uuuurra"!
Lembrem-se de mim como eu era, como vivi, não como morri.
Isto sim é mais a minha cara.
Em memória de mim, vos peço!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Nostradamus

Enfim amanhece.
E com o amanhecer o novo dia nos brinda com
raios de sol e cantos de pássaros.
Sua boca quente e úmida convida a mais um beijo.
Não é só a boca que ainda está úmida!
A loucura tomou conta dos anjos, e eles caíram.
Caíram na luxúria, no tesão e declararam guerra a
todos os tabus e mimimis existentes no céu e no inferno.
Mas nosso Deus cotidiano nos alerta, que está na na hora de
voltar, voltar ao trabalho, aos amigos, à família, à mesmice
que sempre nos recebe de braços abertos.
Mas sabemos que, como a batida do coração, o passar das horas,
estamos predestinados ao caos!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Obrigado por nada! Por tudo!

Obrigado por mostrar minhas fraquezas,
pois delas tirei grande força.
Obrigado por tripudiar sobre mim, foi dai
que nasceu minha resistência.
Obrigado por tentar querer sempre ser maior
que eu, fiquei compadecido.
Obrigado por me julgar sempre culpado, sendo
inocente.
Obrigado por sair da minha vida sem olhar para trás.
Isso me tornou humano.