sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Bodas de Erva.


Minha querida companheira,
realmente não sei o que seria de mim sem você.
Fazer parte da sua vida sempre foi uma grande felicidade para mim.
Até parece que foi na semana passada que nos conhecemos, mas lá se vão vinte e nove anos, só de casamento.
Sei que sou difícil, por isso mesmo te agradeço, pelo seu amor e sua paciência.
Nem precisava dizer, mas vou dizer assim mesmo, que você é, e sempre será, meu grande amor.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Quadragésimo.

Querer com
Urgência um
Amor com
Retórica para
Elevar sem palavras de
Negação tudo aquilo que
Traduz sempre o verdadeiro
Amor.

sábado, 30 de novembro de 2013

O pensador.


Meio que quero.
Meio que não quero.
Acho que vou.
Acho que não vou.
Hesito pois existo.
Fervilho em contradições.
Então, penso, penso, penso.....

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Pequenos sírios.


O terror vem do céu.
O chão se abre e nos engole.
Estilhaços, nos ferem, cegam, matam.
Onde estão nossos pais?
O futuro não existe.
Exílio, único caminho, fome e sofrimento.
O conhecimento negado, uma juventude perdida.
Sinto muito por vocês pequenos sírios.

sábado, 23 de novembro de 2013

Palinuro.


Se você vai se amarrar ao leme do seu navio, que está dentro de uma grande tempestade, esteja certo de ter por perto uma faca bem afiada, vai que você mude de ideia.

Perda.


Diana, por ciúmes de Agenora, vendo que suas qualidades de caçadora quase se comparavam as dela, lançou a seta que tirou a vida de meu amor.
Então os céus se fecharam em forma de nuvens e caiu pesada chuva, de forma que os Deuses, vendo meu sofrimento, fizeram o seu pranto misturar-se ao meu.
Pois viram que minha dor não era merecida, que havia perdido meu amor, razão de minha vida.
E que Hades não permitiria sua volta.
Poseidon se compadecendo de mim fez subir águas que me envolveram e me levaram às profundezas do seu reino, onde fui bem recebido e confortado, e onde aguardo, até que se dê o tempo de reencontrar meu grande amor.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Taio no pé, pipa no ar.



"Dé, vamos jogar bola" - gritava a molecada. Eu tomava impulso, corria, batia o pé no meio do muro, as mãos em cima, e já estava do outro lado. O campo ficava atrás da minha casa.
Fazia sempre isso tanto para jogar bola, soltar pipa ou tirar meu irmão de alguma confusão. Ele tinha o dom de arranjar briga com garotos maiores que ele e eu, era um sufoco.
Numa dessas puladas de muro já cai com o pé em cima de um caco de vidro, a molecada quase que só andava descalça, foi um taio feio no pé. No mesmo instante já pulei o muro de volta e fui atrás de minha mãe, que pegou a bacia, aquela do banho, pôs água, sal e vinagre. E o pé ficava de molho, era lavado nesse santo remédio.
Até hoje não sei o que doía mais : o remédio ou o corte.
Fiquei mancando por mais de uma semana e ainda levei bronca.
Quando fazíamos uma pipa, tínhamos que ir no bar pedir papel de pão, que era mais fino tipo uma seda. Fazíamos a cola com farinha, a linha era outro problema, pois precisava de dinheiro, que naquele tempo era que nem Deus: todo mundo sabia que existia, mas ninguém via.
Mas depois de todos os obstáculos superados era só felicidade, quase todo mundo ia  pro campinho soltar sua pipa, jogar malha, jogar bola ou simplesmente ficar vendo o movimento e ficar conversando.
Era um meio de socialização das pessoas do nosso pequeno bairro.
Falando assim até parece uma coisa sem importância, muito simples.
Mas para quem estava lá e viveu isso, foi muito legal e não tem como esquecer. Nem quero.