quinta-feira, 17 de julho de 2014

Ética.

Eles perderam a razão.
Seus métodos são medonhos.
A cura não pode custar tanto.
Usam tudo que aparece.
A madrugada oculta o ilícito.
Da fábrica até o destino serão horas.
Ele os segue até o fim.
Dois astronautas descem do caminhão.
E começam a jogar a carga no velho fosso da pedreira.
Ele se aproxima para ver melhor.
Carcaças, algumas se mexem, ovos e muitos sacos pretos..
Tanto trabalho por isso?
Quer mais uma prova, além do filme.
Esquece a escolta.
Alguma coisa se rompe.
Que cheiro horrível.
Está paralisado e tonto, muito perto.
Gasolina, vão incendiar o fosso.
O clarão domina a noite, ele fica onde está.
Pela manhã não se saberá o que é homem, ou o que é bicho.
De observador a vitima, no meio de tantas.
Talvez um dia o fim para muitos se resuma a isso.
Um monte de lixo e cinzas.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ilusão.

O trabalho nunca acaba.
O filhos nunca crescem.
Eu ainda não cresci.
Só envelheço.
Dia a dia, sopro a sopro.
Tudo passa.
Minhas mãos sangram.
A lida, cansativa, monótona.
O amor é vencido.
A paixão é vendida.
Meus joelhos já não se dobram .
Tudo passa.
O corpo se desintegra com a alma ainda nele.
Mas ainda me apego a um fio de vida, uma ilusão.
Porque no final tudo se renova.
Não tenho certeza de nada.
Porque deveria? 
Se tudo passa.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Casalzinho.

Ele: dá uma segurada pra mim.
Namorado: tá bom.
Namorado: anda logo, minha mão tá cansando.
Ele: aproveita e dá uma chupada, não morde.
Namorado: não, obrigado.
Ele: que chato.
Namorado: não gosto.
Ele: anda logo, chupa ai, chupa logo, porra.
Ele: Ahhh! Sacanagem, caiu longe.
Namorado: já falei mil vezes que odeio picolé de goiaba!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Não diga adeus.

Eu apenas olho.
Não digo nada.
Quero que se lembre de mim assim.
Não diga adeus, apenas vá.
Sempre poderemos reviver velhos amores.
Meus erros ficarão comigo, leve os seus.
Equívocos são passíveis de perdão.
Lembranças são apenas bons momentos, não espere que eu chore.
Não quero ficar triste.
Não quero ficar triste.
Coisas de homem e mulher.
Vá logo.
Volte logo.
Não diga adeus.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O teste.

Tudo tem que ser perfeito.
O movimento é primoroso.
Com tantos a olhar, tem que ser.
O liquido desce viscoso, salivam.
Vejo nos olhares que seu cheiro desperta insanidades.
A lâmina é afiada, ponho-me a cortar pedaços.
Não sobra quase nada.
Está tudo preparado.
Todos esperam meu próximo movimento.
Eu aguardo.
Cresce a ansiedade, querem me julgar rapidamente.
Alguns se irritam, estão com fome.
Faço que não os percebo.
Tenho meu próprio tempo.
Sustento-lhes o olhar.
Quando de repente: prim.
Ficou pronto, meu famoso bolo de cenoura.
Agora só falta a calda de chocolate, hum!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O chamado.

Atentai ao chamado.
Vós que cortejas a noite.
Somos iguais, junta-te a mim.
Não hajas com receio ou timidez.
As trevas já existiam antes da luz.
Estamos acima do bem ou do mal.
Vós que anceia liberdade.
Nas sombras encontrará abrigo.
Siga teus instintos.
Empenha teus dons a nossa causa.
Aqui não existe pecado.
Aceito o chamado, não há retorno.
Tua paga: eternidade.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Anjo negro.


Amparada por policiais, parecia perdida, pois o efeito da droga estava no auge.
Quando passei olhou para mim.
Tenho certeza que não me viu, fitava o vazio.
O problema é que eu mergulhei no seu olhar.
Fui sugado para o seu mundo de dor e tristezas.
Onde pessoas tentam secar o oceano com um conta-gotas.
Ou escalar uma parede de vidro com as mãos sujas de óleo.
Pessoas apáticas, patéticas, que só pensam em seu circulo vicioso.
Quem dera pudesse ajudá-las.
Mas não querem ajuda, não entendem, eu também não.
Parece que estamos todos presos a sapatos de concreto.
Não vamos à lugar algum.

O anjo caído é negro.
Sua vontade é negra.
Tento subir a superfície.
Me seguram os pés.
Me debato em vão.
E afogo-me em meus pecados.
Me entregando de vez a escuridão.
O anjo negro regozija-se, nas profundezas.