quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A rosa.

O namorado que lhe trouxera uma rosa e nunca mais voltou.
De tanto esperar perdeu seu viço.
Na porta do cortiço, sua juventude lhe dizendo adeus, seu mundo
desmoronando aos poucos.
A esperança indo pro ralo com a água suja da roupa.
E os sonhos se transformando em fumaça gordurosa na beira do fogão.
Seu subconsciente sempre a lhe dizer, " Quanta besteira".
Mesmo assim a noitinha junto a cama, o pedido em forma de oração,
sentida e ressentida, por dias melhores.
Mas com o amanhecer, tudo é igual.
E com passar dos dias, da vida, uma prostração e inércia lhe trazem
uma desesperança sem fim.
Mas ela ainda guarda aquela rosa, que um dia já foi linda, viva, assim
como ela também foi, e um desejo secreto aflora de seu coração, será que
algum dia serei feliz?

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Caipira

Agora que os anos de obrigações se foram, quando tenho um tempinho
que me bate inspiração, vou pro meu canto e rabisco alguma coisa.
Alguma coisa sobre uma flor bonita, uma menina faceira, um
por do sol especial, uma manhã orvalhada.
Do que vejo e do que me vai no peito.
Um canário cantando, uma galinha ciscando, gavião voando.
Um pensamento apressado, o coração apertado, uma folha vira uma cortina de garranchos.
Tudo tem sua magica, sua graça, sua razão de ser.
Aprendi com a vida que a beleza das coisas está principalmente
na percepção e boa vontade de quem vê.
Às vezes até a florzinha do capim me encanta, o voo desastrado do filhote.
Soa meio bobo, mas que posso fazer, sou assim mesmo, um caipira sem muita
instrução, que às vezes tem idéias....

Anjos caídos.

Estou impregnado de esperança.
Mas, quão tolos podemos ser? Até que ponto poderemos
ser enganados por nós mesmos?
A vida é uma ciranda de emoções e oportunidades, mas
também de inércia e passividade.
Por que nos é negado o conhecimento total?
Minha mente chega a roçar o inimaginável, o intangível,
alguma coisa que não vejo, mas sei estar lá.
Por que não podemos romper esse invólucro do cérebro,
essa blindagem do saber?
Temos a percepção, a sensação de poder fazer acontecer,
mas só conseguimos migalhas.
Por que somos tão ineptos?
Será que aliens  não programaram direito nosso dna, ou em
uma outra hipótese pelo criacionismo, seria tudo culpa de Eva?
Por que somos quase maravilhosos?
Quase divinos?
Quase perfeitos?
Seríamos, talvez, anjos caídos?
E se formos, até quando seremos castigados?
Quero minhas asas de volta!
Por favor!

Senhorinha.

Pelo gargalo da garrafa, no líquido âmbar
me afogo.
Vosmecê me obriga
Pela brasa do cigarro, sua fumaça toma forma
de carruagem com cavalos brancos, minhas idéias se atrapalham.
Pelo furo da coleira, no buraco da orelha, sons estranhos ouço,
trovões explodindo no horizonte, cego e desorientado, assim estou.
Toda essa demanda sentimental por nada!
Senhorinha não me quer.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A porta.

Sempre me corto com os vidros da janela.
Por isso, coloquei flores ali.
Num outro mundo paralelo, fantasmas me perseguem,
e para fugir dos espectros, cubro o espelho.
Sozinho no escuro, olho para porta que nunca irá se abrir,
lembro de coisas que não fiz, mas era eu.
Se pudesse amar alguém, seria ótimo.
Quem se atreveria?
Ainda ouço o gotejar de alguma coisa, agora lento, calmo.
Não há lugar nesse ou em outro mundo para me esconder.
Serei culpado de tudo para sempre.
E dai?
Eu só queria morrer!

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Pelo espelho.

Pelo espelho teu silêncio convida.
Te achei tão linda que quis seu espelho ser, e assim foi.
Tudo passa por mim, teu sorriso, teu corpo nu.
Vejo teu jeito malicioso, ousado.
Até me beijas, mas estou frio.
Quanto mais me olha, mais frio sou.
Me tornei também algo lindo, delicado.
Não me entenda mal.
Não sou Narciso, só estou preso dentro do espelho.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Um longo caminho de volta.

Sozinho estou,
sozinho sou,
sozinho me mantive até agora.
Não me preocupa o tempo que gastei, se
ganhei ou perdi.
De fato, dores de amor tive e desilusões vivi,
mas isto está muito longe agora.
Palavras não me ferem mais, atos infantis me
fazem rir.
A vida é uma ilusão e agora eu sou o mágico.
Talvez te faça ainda minha assistente, ou apenas
dance uma música com você.
Uma música como foi o nosso amor, com começo,
meio e fim.