sexta-feira, 6 de maio de 2022

Verdades secretas.

 Amores secretos que marcaram fundo, inesquecíveis e invioláveis, mas 

que acabaram por alguma bobeira fútil.

Amizades secretas, algumas furtivas e marginais, outras nobres e dignas, mas

todas acabaram num saco no fundo da mente.

Culpas secretas, de mentir e não ser descoberto, de ser verdadeiro e não ser

acolhido, de ser gentil e ter passado por rude.

Me vi sozinho, inventei outra pessoa dentro de mim, a que guarda algumas

coisas só para si.

E deixei para o mundo as mentiras secretas que todos já conhecem.

Eu, inebriado pelo teatro da vida, me surpreendo cada vez mais com seus atores.

E fico pensando: quem escreveu essa peça?

quinta-feira, 31 de março de 2022

Ao avesso

 A solidão nos leva para os confins de nós mesmos.

Noite adentro

Dia afora

Uma máquina de pensamentos tristes e piedosos.

A autocompaixão já é, por si só, vergonhosa.

A piedade alheia desnecessária me enoja.

Sinto que estou sem tempo para ocultar todas as crises

para debaixo do tapete.

Estamos tropeçando nele há muito tempo.

Estou à espera de que alienígenas venham e me levem,

me cortem, me colem e me reprogramem apenas para ser feliz.

Estou ficando velho de tanto esperar.

Vou me costurando eu mesmo.

Sinto tua falta, mas não te sigo mais, nem em ondas eletromagnéticas.

Seu toque agora corta e queima.

Minha pobre alma segue, floresta adentro no poço mais fundo, mais escuro,

caindo...caindo...

A tempestade, os vórtices se foram, ficou um imenso vazio.

Só sinto o frio que emana de mim mesmo!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Salva-me.

 Salva-me.

Uma mão, um braço ou abraço.

Leva-me.

De preferência pela mão.

Diga-me.

Por que me tornei rude?

Ajuda-me.

Não quero mais sofrer, me reinventa, me dá um choque, me põe pra andar.

Liberta-me.

Perdoa meus pecados.

Volta!


sábado, 1 de janeiro de 2022

Quando morre um amor.

Quando morre um amor 

me sinto triste,

me sinto pequeno.                

Vejo quão insignificante e impotente sou

diante da grandiosidade da vida e seus caprichos.

São apenas ciclos que se abrem e se fecham.

Coisas que completam minha apoteose, meu apocalipse.

Tudo em mim era você! 

E você se foi.

Não levou nada de mim?

Ou apenas não me quis mais?

Outro momento em um novo ciclo.

Não me toque enquanto as estrelas caem.

Minha vereda é amarga e pálida.

E, enquanto o luzeiro despenca, meu coração ainda chora.

E de poesias tristes vou vivendo, enquanto meu mundo se acaba.


sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Coração pisado.

 Com a tristeza dos que são abandonados,  peguei meu

coração pisado e jogado por você na sarjeta.

Ele estava sangrando e com minhas lágrimas se 

desvaneceu entre meus dedos e foi-se embora, com toda dor 

que pode carregar dentro de si.

Minha vida se acabou, e começou ali mesmo.

Um filme que termina, e outro que começa.

Um caminhar trôpego, tateando as paredes.

Saindo da escuridão doída, para uma luz incerta e único

caminho restante.

Um barco no mar revolto, é tudo que preciso agora.

Não me venha com palavras que só pioram tudo.

O lugar comum não é aqui, e nunca será!

Tenho medo do escuro, de ficar sozinho, mas não

morrerei por conta disso!

Nunca, nunca...

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

O meu trem.

Sigo o trilho, que o brilho é frio.

Desgastado pelo uso, abuso.

Reluz a mancha de óleo nova.

Porque a velha já foi coberta pelo pó há muito tempo.

Na brita quente caminho descalço sem tocar o aço escaldante.

Caminho nu, pois já me despi de todas as convenções, inclusive as roupas.

Meu dinheiro dei aos loucos.

Mas que bonito esse caminho.

Eu poderia de bom grado viver ali, naquela casinha abandonada

cheia de árvores em sua volta!

Dá pra ver onde era o jardim.

Já que estou fantasiado de Adão!

Como seria?

Eu teria que sair dos trilhos.

E conviver com lembranças amargas e tristes!

Não preciso mais desse tipo de coisa.

Sempre fui muito prático.

Tenho vontade que venha logo o meu trem.

Um apito espanta o silêncio.

Que me leve embora.

Não para outro lugar.

Mas para outra vida!

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Sonhos.

Se não for tua mão a me tocar, eu nada mais sentirei

até que eu acorde e a vida volte a ser como antes.

Se não for tua voz a me guiar, ficarei nas profundezas das águas

onde o som não se propaga e não existe música.

Se não for o teu beijo, que sabor terá a vida?

Lembranças tolas mexem com o velho coração que ainda sonha

com dias ensolarados e tranquilos ao teu lado.

Hoje tenho a chuva como companhia, olho os pingos escorrerem

na vidraça, são lágrimas dos anjos.

De manhã levarão embora toda mágoa e tristeza para o mar, e ele fica 

longe...longe...

Toda uma vida juntos e ainda tenho medo de te perder.

Se eu estiver triste, é porque não te vi hoje.

Se eu estiver chorando, é porque você foi embora com a chuva.

E eu não quero mais acordar!